




MUSEU DA CARRIS E GAU
Em parceria com a GAU (Galeria de Arte Urbana) as paredes do Museu e da Estação de Santo Amaro comemoram os 125 anos de tração elétrica na cidade de Lisboa.
No percurso do Elétrico do Museu da Carris, vêm-se das janelas as intervenções dos artistas C’Marie, Bugster One, Daniela Guerreiro e Mariana Duarte Santos, e no interior do Núcleo 2, de Jorge Charrua.
Pensadas a partir do arquivo fotográfico da CARRIS e dos 125 anos da tração elétrica, trazem novas leituras para a Estação de Santo Amaro, a primeira estação da CARRIS, um espaço marcado pela sua história e património.
O percurso expositivo conta ainda com uma série de cartazes dedicados às diferentes gerações de elétricos, desde os veículos construídos nos Estados Unidos aos que foram produzidos nas oficinas da CARRIS.
C´MARIE
Estação de Santo Amaro | Carbarn
Visível do exterior da Estação de Santo Amaro, no muro que limita o Carbarn, está a intervenção artística de C’Marie. Com a inscrição 125 anos de tradição e futuro a ligar Lisboa, o elétrico que marca a imagem de Lisboa, a Ponte que veio a atravessar a Estação e os antigos trabalhos de eletrificação coincidem neste mural com o presente e o futuro.
C’Marie é Constança Bettencourt (n.1992), artista portuguesa, desenvolve o seu trabalho a partir de vários meios e técnicas: do desenho à escultura, pintura de mural, ilustração digital e tatuagem.
Licenciou-se em Escultura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL), com Erasmus na Accademia di Belle Arti di Firenze. Concluiu o mestrado na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha (ESAD.CR).
A sua identidade visual centra-se nos rostos, expressões e gestos, adotando e preservando as características iniciais da construção gráfica e das linhas exploratórias. Sempre que possível, trabalha com comunidades, acredita que a experiência de todos contribui para democratizar o conceito de arte e acrescenta valor ao resultado final.









BUSGTER ONE
Estação de Santo Amaro | Carpintarias
O Mural de Bugster One encontra-se numa porta de madeira das Carpintarias de Santo Amaro, com uma narrativa visual que revisita e reconstrói elementos do património gráfico da CARRIS, a partir de uma leitura pessoal do arquivo. Destaca-se o número 437, o número original do elétrico T1 que faz a ligação entre os dois núcleos do Museu.
Bugster One (n. 1987) é um artista urbano português que vive em Lisboa e cuja obra se distingue pela fusão entre estética digital, cultura pop e imaginário futurista. Com raízes no graffiti, desenvolveu uma linguagem visual marcada por personagens híbridas, elementos tecnológicos e composições vibrantes que exploram a relação entre humano, máquina e ambiente urbano.
O seu trabalho aborda temas como identidade digital, metamorfose, vigilância, velocidade e a forma como a tecnologia molda comportamentos e perceções. As suas peças, frequentemente de grande escala, revelam domínio do desenho, da cor e da construção de atmosferas visuais intensas, onde o humor e a crítica social se cruzam.




DANIELA GUERREIRO E MARIANA DUARTE SANTOS
Estação de Santo Amaro | Armazém
eNa parede exterior do Armazém, são quatro as fotografias de “base” para o mural assinado pelas artistas Daniela Guerreiro e Mariana Duarte Santos. Das equipas da via-férrea, aos trabalhadores que construíram a Geradora de Santos em 1900, o preto e branco de Mariana Duarte Santos contrasta com o registo de cor que Daniela Guerreiro propõe para as imagens do arquivo. Ao retrato dos trabalhadores, segue-se o retrato dos elétricos vistos de fora da estação ou numa rua da baixa. São quatro imagens de arquivo a quatro mãos.
Daniela Guerreiro é uma artista visual portuguesa cuja prática explora temas como identidade, intimidade, diversidade e aceitação através da pintura figurativa. Nasce em Faro, em 1992, estuda Artes Visuais na Universidade do Algarve e Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
O seu trabalho distingue-se por uma estética crua e autêntica, onde a pintura se torna um espaço de visibilidade para experiências individuais e coletivas frequentemente marginalizadas pelas normas sociais. Trabalhando com modelos não convencionais, procura revelar uma beleza real e humana, muitas vezes desvalorizada pelos padrões estéticos dominantes. Nas suas obras, a luz, a sombra, a cor e a textura assumem um papel central na revelação de identidades ocultas e na desconstrução de convenções visuais. Acredita na representatividade, na diversidade e no cuidado pessoal como ferramentas de transformação social e emocional. Mais do que representação, a sua pintura é um gesto de escuta, empatia e partilha — um convite à reflexão sobre a forma como nos vemos a nós próprios e ao mundo que nos rodeia.
Mariana Duarte Santos nasce em Lisboa, em 1995. Frequenta o ensino secundário numa escola especializada em artes e, posteriormente, estuda desenho e gravura na universidade. A sua obra é de natureza figurativa e centra-se sobretudo na pintura, no desenho e na gravura, sendo também influenciada por outras áreas artísticas, como o cinema e a literatura.
No âmbito da arte pública, os temas que explora estão maioritariamente relacionados com os conceitos de memória, identidade coletiva e histórias locais. Por esse motivo, as fotografias de arquivo assumem um papel fundamental no trabalho dos murais.











JORGE CHARRUA
Museu da Carris | Núcleo 2
Na nave dos elétricos, na parede que separa o Museu das Oficinas da CARRIS, encontra-se o mural de Jorge Charrua, criado a partir de duas fotografias do arquivo. Em primeiro plano, uma imagem de 1984 mostra os trabalhadores das oficinas de Santo Amaro que recuperaram o elétrico salão aberto n.º 283, após o seu regresso do Parque do Alvito. Ao fundo, uma fotografia do início do século XX, na Avenida 24 de Julho, ccom um carro elétrico e o seu antecessor, o carro americano de tração animal.
Duas imagens, dois momentos da história da CARRIS, que se encontram numa mesma composição e criam uma ligação entre a memória preservada no arquivo, a pintura e os veículos históricos conservados pelo Museu.
Jorge Charrua nasce em Vila Franca de Xira, em 1991. Em 2004, inicia a sua atividade artística com o Graffiti. Licencia-se em Pintura na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa (FBAUL).
A sua obra cruza referências nostálgicas com temas contemporâneos. Através da pintura tradicional, estabelece um diálogo com diferentes influências, da cultura hip-hop, dos videojogos antigos e da História da Arte. Numa investigação de realidades dispares, elementos não compatíveis, no seu processo artístico procura estabelecer relações improváveis.



